Bioética de intervenção: nada sobre nós, sem nós

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.18270/bp.v1i2.3925

Palabras clave:

bioética, América Latina, vulnerabilidade social, epistemologias do sul, desigualdade

Resumen

Propósito/Contexto. Reconhecer a Bioética de Intervenção (BI) como importante marco conceitual, principalmente no contexto latino-americano.

Metodologia/Enfoque. Revisão integrativa, utilizando o termo bioética de intervenção para pesquisa em diversas bases de dados, buscando contextualizar seu conceito. 

Resultados. A BI está se apresentando como importante referencial para a compreensão das realidades sociais e propor mudanças ante as desiguais relações que se estabelecem entre países centrais e periféricos no sistema-mundo capitalista. Assume-se a existência de uma clara politização acerca dos problemas morais, tidos como situações persistentes e emergentes, que afetam principalmente os mais vulnerados. De caráter transdisciplinar, a BI vai além da biologia, visto que está pautada no paradigma da complexidade e é contrária à fragmentação do conhecimento. Apresenta-se como crítica à bioética principialista e tem como categorias referenciais a corporeidade, o empoderamento, a libertação e a emancipação. Também é composta pelo marco teórico-prático denominado de “quatro P’s”: prevenção, proteção, precaução e prudência.

Discussão/Conclusões/Contribuições. É fundamental pensar e enfrentar os problemas que afligem as populações periféricas a partir das pessoas e epistemologias desses locais, utilizando um filtro epistemológico dos países periféricos, em relação ao pensamento historicamente hegemônico do centro do sistema-mundo capitalista, consistindo, também, num movimento de decolonização e de intervenção sem intromissão.

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Publicado

2022-02-17

Cómo citar

Estácio de Paula, W. E., & Matsuoka, E. A. de C. (2022). Bioética de intervenção: nada sobre nós, sem nós. Bios Papers, 1(2). https://doi.org/10.18270/bp.v1i2.3925